Quais as principais diferenças entre as Constelações Familiares e as Constelações Organizacionais? Saiba o que muda em cada abordagem!
Em nosso post anterior (Constelação Familiar versus Constelação Estrutural), dissemos que ao tratar de Constelação Familiar, nos referimos à obra de Bert Hellinger, independentemente de o trabalho ser realizado com famílias ou organizações. Isso se dá porque as Constelações Familiares são, acima de tudo, uma forma de análise sistêmica terapêutica.
Para não causar confusão ao leitor esclarecemos que, para esse post especificamente, usaremos um conceito diferenciado. Quando falarmos de Constelações Familiares, nos referimos ao trabalho com Constelações exclusivamente no âmbito familiar. Já nos casos em que citarmos Constelação Organizacional, estamos nos referindo ao trabalho com Empresas, apresentado no primeiro post dessa série (Problemas ocultos nas organizações: solução através de Constelações) .
Guillermo Echegaray fez uma análise bastante interessante a respeito das diferenças entre as Constelações Familiares e Organizacionais. E ele cita quatro pontos que ilustram algumas das distinções entre os dois tipos de trabalhos.
1) Essa é a mais óbvia das diferenças. Pertencemos a uma família desde o nascimento, e continuaremos a fazer parte da família mesmo depois de nossa morte. Já no caso de uma organização esse pertencimento é temporário, além de ser uma escolha. Só isso já torna o sistema organizacional muito mais complexo. Entender, portanto, quem pertence ao sistema de uma organização é muito mais difícil. Um funcionário demitido de uma organização deixa um legado e uma história por lá. Esse passado deve ser considerado no sistema. Mas até quando? Só com esse exemplo é possível perceber que há diversas possibilidades de vínculo e pertencimento que estão presentes nos sistemas organizacionais, mas não nos familiares.
2) O princípio da ordem é muito mais simples em uma família. Numa organização, a hierarquia pode ter diferentes contextos. O que vem primeiro numa empresa, o mais antigo e experiente em um posto, ou o mais qualificado e mais especialista em uma atividade?
3) As famílias são serviços orientados à auto conservação, enquanto que as organizações são sistemas orientados às tarefas.
4) O trabalho com Constelações Familiares tem sido executado fundamentalmente por terapeutas. Já no âmbito empresarial, os facilitadores que vem proporcionando as Constelações Organizacionais tem um perfil mais próximo de um consultor de empresas. Desse modo, a linguagem o modo de trabalho, as abordagens, visões, etc. tem também suas distinções.
Cecílio Regojo adicionou algumas reflexões importantes nessa avaliação comparativa.
5) Na Constelação Organizacional a função de um membro é menos definida e pode mudar ao longo do tempo, o que não costuma ocorrer na Constelação Familiar.
6) Testagens e simulações não estão presentes nas Constelações Familiares. Já nas Constelações Organizacionais há a possibilidade de testar soluções ou simular vários cenários.
7) As Constelações Organizacionais têm uma carga menos emocional do que as Constelações Familiares.
8) A experiência mostrou que não é muito importante acabar as Constelações Organizacionais até encontrar uma solução como nas Constelações Familiares. As Constelações Organizacionais funcionam mais como um impulso que se desenvolve mais tarde, é como o início da mudança.
Complementamos essa análise de Echegaray e Regojo.
9) As Constelações Organizacionais também envolvem outros tipos de elementos óbvios, mas que precisam ser listados quando se trata de uma comparação com Constelações Familiares: clientes, concorrentes, fornecedores, mercado, produto, projeto, fundadores, sócios, etc., podem ser representados, conforme o contexto.
Jan Jacob Stam
“O trabalho com Constelações Sistêmicas não mudará o mundo, mas pode produzir a pequena diferença que faz a diferença.”
(Jan Jacob Stam, diretor do Instituto Bert Hellinger, Holanda – para o prefácio do livro “Para Comprender las Constelaciones Organizacionales”, Guillermo Echegaray)